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UM ELEFANTE QUE VEIO PARA INCOMODAR
Bem, como todo mundo deve ter percebido eu não ando com muito ânimo para escrever aqui não, na verdade ando cheio de coisas para fazer e nos int ervalos entre uma e outra ando preferindo ouvir um bom cd ou ficar de bobeira mesmo. Mas hoje resolvi escrever e sobre o que eu acredito que escrevo melhor, o cinema. Não que eu não goste de outras coisas, mas é que volta e meia o cinema me marca muito. Dia desses sai para assistir o filme ELEFANTE de Gus van Sant e não tenho pudor em dizer que é um dos melhores que já assisti na vida. O tema do filme é um massacre praticado por dois adolescentes numa escola estadunidense. A câmera toma vida no filme e parece se misturar, dialogar com os atores, às vezes o filme aproxima-se tanto da realidade que chega a parecer um documentário. Achei surpreendente a atuação dos atores, simplesmente brilhantes. Depois fiquei sabendo que eram todos amadores e que o diretor deu a eles liberdade de criar alguns diálogos, que eles foram selecionados dentro da própria escola onde o filme foi gravado. Tudo isso aliado ao uso de uma equipe pequena de filmagem servem de explicação para que aqueles atores estivessem tão à vontade. Muitas vezes o diretor usa de um tipo de filmagem que dá a idéia de tempo real e consegue mergulhar no universo dos adolescentes sem cair no risco de uma imagem caricata . Até mesmo os assassinos em momento algum parecem ser assassinos. É este um dos grandes pontos do filme, meninos comuns que mataram boa parte de seus colegas. Qual seria a explicação? O filme não chega a uma resposta fechada e nem pretende chegar. Ao que me parece ele passa mais uma idéia de espectador do fato do que de analista. Os motivos poderiam ser variados, talvez o jogo violento de vídeo game que os dois colegas jogavam ou mesmo problemas de socialização ou quem sabe as imagens de Hitler na tv ou a facilidade de adquirir armas nos EUA? Pode ser um pouco de tudo isso, mas o importante é ficar atento a estes problemas de violências que parecem fazer parte da cultura americana. Achei interessante como o sentimento de segurança está ou esteve presente na sociedade americana. Na hora em que os dois amigos começam a metralhar os alunos, grande parte das pessoas que estavam em sala de aula não ficam atentas aos gritos e tiros, parecem não perceber, não acreditar, não achar aquilo possível. Este ponto do filme eu achei bem legal, como o sentimento de segurança pode fazer das pessoas alvos fáceis. Bem, acho que já escrevi um pouco demais e que vcs devem aproveitar a oportunidade de assistir a um filme diferente, filme em que eu sinto que as idéias de Godard e de Glauber, de certa forma, ainda sobrevivem.
Escrito por Mateus às 21h11
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